A diretora da Febramat Luciana Martins, representante financeira da Rede Construvip Litoral, foi entrevistada pelo Construção em Diálogo, podcast do Grupo Revenda. A conversa, conduzida por Carla Passarelli, faz parte da atual temporada do podcast, cujo tema é Mulheres que constroem. O papo girou em torno do papel estratégico do associativismo para o varejo do setor de matcon e de como a força coletiva entre lojistas, indústrias e redes pode transformar resultados, gerando valor sustentável para a cadeia.
Segundo Luciana, a construção está no sangue de sua família. Filha de proprietário de loja de material de construção, ela trabalha há três décadas no negócio e se considera encantada pelo segmento mesmo após tanto tempo dentro dele. “Quando vou em shopping center, é pra ver loja de home center. Isso é um perfil, você nasce assim e não sabe explicar”, comenta.
Perguntada sobre o que a levou a acreditar no associativismo, Luciana disse que sempre encarou o conceito como uma porta de entrada para o segmento: “Sendo mulher e tendo uma empresa na mão, eu me sentia muito sozinha quando entrei no ramo, pois realmente é algo considerado masculino. E o que eu fiz? Fui para o mercado buscar outras mulheres, outras pessoas que estivessem na mesma situação, de tocar um negócio já formado”.
Em meados dos anos 1990, a união entre lojistas ainda estava no começo – e, sem internet, tudo acontecia em um andamento diferente, muito mais lento. “Lembro que li uma matéria sobre o associativismo sendo formado em São Paulo. Achei a ideia legal e comecei a procurar lojistas, que tivessem um porte parecido com o da loja do meu pai, para conversar. Sempre falava ‘olha o que está acontecendo na capital: será que não conseguimos fazer algo semelhante aqui na Baixada Santista?’”, relembra.
No entanto, mesmo com décadas de aplicação prática no Brasil, o associativismo no setor de matcon ainda é desconhecido por muitos profissionais: bastante gente acredita que o conceito envolve somente compras conjuntas. “Isso é só a ponta do iceberg”, explica Luciana. “A pergunta que o associativismo responde é: o que você precisa para solucionar seus problemas? As pessoas ali são seus pares – vivem o que você vive, compram do mesmo fornecedor, têm os mesmos problemas com funcionários, logística, tributação etc. Então, é como se eu me multiplicasse em várias cabeças pensantes, com diferentes experiências.”
“São trinta anos de loja, cheios de altos e baixos. Se não fosse a união do associativismo local, ali na nossa região, eu não teria suportado toda a pressão, as mudanças de mercado. Sou apaixonada pelo associativismo por isso: foi minha tábua de salvação”, define Luciana.
Você pode assistir à entrevista na íntegra no canal do Grupo Revenda no YouTube – basta clicar no player abaixo: